Grupo de Estudos de Psicologia Política / Instituto de Psicologia / Universidade de São Paulo

VII ENCONTRO PAULISTA DE PSICOLOGIA POLÍTICA

Dias 4, 5 e 6 de dezembro de 2018

Instituto de Psicologia / Universidade de São Paulo / Campus Butantã

INÍCIO

O Encontro Paulista de Psicologia Política nasce em 2009 da interação entre os grupos de pesquisa da área mantidos pela USP e pela PUCSP que desejavam intercambiar produções acadêmicas e incentivar o crescimento da Psicologia Política para além da capital do Estado de São Paulo. Esse esforço chega a 7° edição e segue como um esforço coordenado pelo Grupo de Estudos em Psicologia Política, Políticas Públicas e Multiculturalismo (GEPSIPOLIM – EACH/USP).

 

A primeira edição ocorreu no dia 12 de dezembro de 2009 na EACH-USP e discutiu-se tema Participação, direitos e cidadania. Não houve apresentação de trabalhos, mas uma 4 de mesas com convidadxs que debateram temas como Partidos políticos e sindicatos, gênero e masculinidades, políticas públicas e imigração e territorialidades.

 

Movidos pelo interesse em promover o campo e a produção de conhecimento em Psicologia, além de agregar e aproximar pesquisadorxs e estudiosxs decidiu-se manter o evento e investir numa leitura interdisciplinar da área. O EPPP afirmava-se como um evento de abrangência regional que oportuniza trocas entre quem pesquisa e tem interesse pode debater questões atuais da realidade nacional. Assim, no ano seguinte o encontro foi realizado no dia 26 de junho na EACH-USP e deu continuidade aos debates iniciais ao adotar o tema foi Participação, direitos humanos e cidadania em sociedades multiculturais. Nessa edição houve apresentação de pôsteres além das mesas de convidadxs.

 

A terceira edição o Encontro Paulista de Psicologia Política aconteceu na Escola de Comunicação e Artes (ECA) da USP entre os dias 3 a 5 de junho de 2013. O tema norteador do evento foi políticas públicas, equidade e direito à diferença. A nessa ocasião o evento passou a receber trabalhos nas categorias pôsteres, comunicações coordenadas e mesas redondas e manter simpósios de debates com convidados. Entre os dias 2, 3 e 4 de dezembro de 2015 realizamos a quarta edição do evento com o tema As cores da cidade: consciência política, direitos e territórios e torna a ocorrer na EACH-USP.

 

As duas edições seguintes ganham um volume maior e ocorrem fora da Universidade de São Paulo pela primeira vez. A quinta edição ocorreu na Universidade Nove de Julho (UNINOVE) com o tema Democracia, participação política e cidadania entre os dias 1 e 3 de dezembro de 2016. Em 2017 o EPPP acontece no interior paulista pela primeira vez ao ser sediado pela Universidade Metodista de Piracicaba. O encontro ocorreu nos dias 22, 23 e 24 de novembro e teve como tema A psicologia política na formulação, monitoramento e avaliação das políticas públicas no Brasil.

 

Agora em 2018 o encontro torna a ser realizado na USP, sendo a sede o Instituto de Psicologia com o tema “consciência política, poder e ação pública em tempos de crise”.

 

VII Encontro Paulista de Psicologia Política

 

O VII Encontro Paulista de Psicologia Política será realizado nos dias 4, 5 e 6 de dezembro de 2018 no Instituto de Psicologia da USP (São Paulo) com o tema “consciência política, poder e ação pública em tempos de crise”. Nessa edição, propomos um debate sobre a conjuntura e a realidade brasileira em tempos de crise social e econômica do capitalismo, entendida como crise da própria humanidade, correndo o risco de extinção da sociedade e do meio ambiente.

 

Com base em aportes teóricos da psicologia política, esperamos que o evento possa promover reflexões coletivas sobre questões fundamentais para a vida em sociedade, considerando um cenário marcado pela retirada de direitos sociais e o avanço do conservadorismo – sem deixar, contudo, de olhar para os processos de ruptura da ordem e de resistência dos movimentos sociais, entidades e sujeitos políticos. Os eixos de discussão propostos refletem a preocupação em pensar as facetas da crise social e econômica. São eles:

 

Estado, políticas públicas e crise de representatividade

 

 – A crise de representatividade é um fenômeno que se pode observar empiricamente, assim como pode ser confirmada pela vasta literatura das ciências sociais, especialmente da psicologia política. Essa crise, evidentemente, tem raízes no cenário global, refletindo-se em um descontentamento generalizado em relação à política promovida por dentro e por fora do Estado. Uma crise que é agravada pela falência do Estado de Bem-Estar Social e das políticas públicas, também pela incapacidade de as esquerdas e suas coalizações darem respostas aos problemas concretos do cotidiano da classe trabalhadora, que é minada ideologicamente pela elite política do país. Mas a crise de representatividade releva também um descontentamento com a burocratização de entidades e partidos políticos. Revela, ainda, uma insatisfação com a democracia formal, mesmo que não se tenha, até o momento, clareza do que se quer colocar no lugar dela. Ou seja, reflete em larga medida uma crise ideológica do próprio capitalismo e sua incapacidade de promover a ação pública e o bem comum.

 

Conservadorismo, criminalização da política e dos movimentos sociais

 

– Observamos sem dúvida um avanço do conservadorismo social e político no cenário nacional e internacional com o crescimento da xenofobia institucionalizada, por exemplo, com o governo Trump e diversas políticas de governo europeus contra a imigração e os imigrantes. No Brasil, a violência contra a população LGBT, as mulheres, os negros, pobres e outras minorias políticas só aumenta a cada dia. O assassinato da vereadora Mariele Franco é um exemplo disso. A criminalização dos movimentos sociais com as leis de exceção da Copa do Mundo e das Olimpíadas são outros exemplos nessa direção. Assim como as greves e o direito de se manifestar livremente não estão mais garantidos. O conservadorismo também se manifesta pelas contrarreformas (trabalhista e previdenciária) do governo Temer, entre outros elementos que caracterizam a conjuntura na atualidade. Ou seja, o conservadorismo social e econômico constitui o projeto de poder da classe dominante.

 

Democracia e comportamento eleitoral

 

– O direito ao voto constitui uma das facetas da nossa democracia e é uma conquista histórica da classe trabalhadora. Assim, torna-se fundamental seguir debatendo o comportamento eleitoral, ainda mais nos dias de hoje em que observamos, especialmente nas últimas eleições, um aumento exponencial dos votos brancos e nulos, assim com as abstenções. Isso, sem dúvida, é uma resposta da população – ainda que seja uma resposta de certo modo espontânea – em relação à falta de projetos alternativos de poder. É também um indicador de falência da democracia burguesa e sua incapacidade de promover a ação pública com a ditadura das privatizações. Porém, o comportamento eleitoral revela outras facetas do contexto atual: rechaço generalizado à política parlamentar, adesão à projetos de esquerda e de direita, desorientação ideológica, avanços e retrocessos da consciência política, entre outros elementos que precisam ser estudados e aprofundados para compreensão do momento em que vivemos.

 

Identidades, memória política e direitos humanos

 

– O neoliberalismo vem devastando a humanidade em todos os sentidos. Mas não sem efeitos colaterais. O fortalecimento das pautas identitárias é um exemplo disso. As lutas das mulheres, negros e negras, da população LGBT e outras só tem crescido e demonstram que há resistência em diferentes esferas da sociedade, sendo capaz de incomodar os setores conservadores. Essas lutas, sem dúvida, são históricas e revelam fios condutores de processos anteriores sustentados pela memória política. O legado da classe trabalhadora é a resistência às tentativas de ataque aos direitos humanos, que por sua vez trazem pautas cada vez mais importantes no cenário neoliberal da atualidade.

 

Eixos temáticos:

 

1) Estado, políticas públicas e crise de representatividade.

2) Conservadorismo, criminalização da política e dos movimentos sociais.

3) Democracia e comportamento eleitoral.

4) Identidades, memória política e direitos humanos.

A comissão organizadora do VII Encontro Paulista de Psicologia Política está feliz porque, um mês antes do evento, nos dias 4, 5 e 6 de dezembro próximo, a quantidade de pessoas com interesse no tema e de participar do encontro superou o número de vagas disponibilizadas. Ficamos um pouco tristes de não atender a todos e a todas, mas vamos filmar as palestras, se possível apresentá-las ao vivo pela internet ou pelo menos posteriormente. Obrigado a todos e a todas pelo interesse. Ideologia cada um segue a que julga melhor, mas, pensar e refletir sobre política, ainda é a melhor forma de construirmos uma sociedade melhor. É a única maneira de dar voz a quem é muito pouco ouvido. Há ainda o fato de que, quem diz que não gosta de política, já está praticando uma atitude política.

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